18 setembro, 2010

Como é Grande o Meu Amor Por Você

Composição: Erasmo Carlos / Roberto Carlos

Eu tenho tanto
Prá lhe falar
Mas com palavras
Não sei dizer
Como é grande
O meu amor
Por você...

E não há nada
Prá comparar
Para poder
Lhe explicar
Como é grande
O meu amor
Por você...

Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior
Que o meu amor
Nem mais bonito...

Me desespero
A procurar
Alguma forma
De lhe falar
Como é grande
O meu amor
Por você...

Nunca se esqueça
Nem um segundo
Que eu tenho o amor
Maior do mundo
Como é grande
O meu amor
Por você...(2x)

Mas como é grande
O meu amor
Por você!...

08 agosto, 2010

Sempre teremos Paris



Eu te amo muito mais do que a primeira vez que disse que te amava. Te amo mais a cada dia que te conheço mais um pouco. Te amo mais mesmo quando acho que é impossível caber mais alguma coisa dentro desse amor. Te amo mais a cada vez que tu sorri pra mim. Te amo mais a cada abraço, a cada beijo, a cada noite que eu durmo ao teu lado. Te amo mais a cada vez que abro os olhos e te encontro. Te amo mais sempre quando encontro teu ombro pra chorar, pra me proteger ou me dar força. Te amo mais toda a vez que minha mão encontra a tua, todo instante em que meu corpo revê o teu. Te amo mais a cada plano que a gente faz, a cada sonho que a gente sonha. Te amo mais a cada briga que a gente tem e que me fazem ver o quanto tu é importante pra mim e como besteiras são simplesmente besteiras. Te amo mais a cada vez que tu me mostra coisas que eu não conhecia. Te amo mais a cada vez que eu entendo o que é amar.

Te amo mais depois que a gente resolveu ter uma vidajunta, com direito a planta, horta, prateleiras, almofada de oncinha e esponja de porquinho. Te amo mais mesmo quando tô de TPM. Te amo mais todas as vezes que pareceu que eu te amava menos ou te amava pouco. Te amo mais quando tô Raquel. Te amo mais quando tô Rutinha. Te amo mais quando tô Clarissa. Te amo mais quando a gente ri. Te amo mais quando a gente chora. Te amo mais quando a gente se olha e se entende. Te amo mais quando nossos silêncios conversos e nosso sono dança pelo oitavo andar. Te amo mais a cada dia que penso no nosso futuro. Te amo mais quando a gente divide as contas. Te amo mais quando a gente diz que um dia vai casar. Te amo mais quando eu digo sozinha a-gente-vai-casar-né-eu-quero. Te amo mais quando a gente conversa sobre os lugares que a gente quer conhecer no mundo. Te amo mais quando a gente olha pela janela e vê um horizonte inteirinho de braços abertos para nós.

Te amo mais do que achei que amaria alguém um dia. Te amo muito, amor. Pra sempre. E vou estar sempre contigo.

Sugestões para Atravessar Agosto



(Texto do Caio Fernando Abreu)


Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.

Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos, de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.

Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos - ou precauções - úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia, categoria originalidade... Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo zap!): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informação para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas - coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo; evasão, escapismos. Assumidos, explícitos.

Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:.

(O Estado de São Paulo, 06/08/95)

23 março, 2010

Dois anos e duas vidas




Durante algum tempo, imaginei como seria esse dia. Não minto, de alguma forma – e tantos tropeços – cheguei a pensar que ele não chegaria. Amores assim, só em filme!, eu repetia incessantes vezes pro espelho. Por que a gente demora tanto a acreditar no que está ali, escrito, tatuado, parado, gritando na cara? Não entendo. Mais: por que a gente quer, diante de uma certeza, desmentir o que está lá dentro? Não entendo, de novo. Me disseram que era difícil ser feliz. E é.

Ser feliz dá trabalho e faz a gente ficar testando. Vamos lá, felicidade, vamos ver até onde vai tudo isso. Acho que é do ser humano: a gente precisa da sensação do eterno. Dá segurança, dá suporte, dá tranquilidade, dá conforto. Certeza de saber que, aconteça o que acontecer, o outro vai estar ali.

Nesses dois anos, eu tive muitas certezas. No começo, eu mal sabia o que era. Sabia que era diferente, forte. Mas não sabia a definição. Depois, com o tempo, te conhecendo, eu tive a certeza de mandar uma mensagem na madrugada, dizendo pela primeira vez "te amo". Foi uma primeira vez escrita. Foram tantas – e ainda são – as nossas primeiras vezes! Incontáveis, incansáveis.

Nesses dois anos, tive algumas indelicadezas. Como o Sushi do Cléber, que entrou pra história. Essa vai pro nosso livro. Nesses dois anos, tive alguns medos. Medos que foram mandados embora, medos que me deixaram, medos que ainda vivem – alguém vive livre deles?!? Nesses dois anos, tive algumas decepções: com a vida e com a gente. O outro não tem só partes coloridas. O amor (e o mundo) não é coisa de cinema, finalmente aprendi. Nesses dois anos, tive muito aprendizado. A pensar mais em mim, no que quero, a dizer o que não aceito de jeito nenhum. Nesses dois anos, te ensinei a ver o outro, e com isso me ganhei um pouco. Nesses dois anos, entendi que sentimentos se reciclam – não vão para o lixo. E se renovam, diariamente. Nesses dois anos, entendi que o amor não é só céu – ele também é inferno, arde, queima, machuca.

Nesses dois anos, fiz alguns planos. Uns guardei na gaveta, outros atirei pela janela. Muitos eu levo comigo. E contigo, se assim nos for permitido. Nesses dois anos, aprendi (há bem pouco tempo) que a vida tem reviravoltas e que amores bonitos podem morrer do dia para a noite. E a gente nada pode fazer, somos só humanos – e nada mais. Mas se fosse permitido, hoje, agora, de dois anos pra cá até o fim da vida eu diria que sim, quero ficar contigo pra sempre.

Nesses dois anos, descobri que o pra sempre mora dentro de quem sabe o que quer. E que não importa que a gente não saiba direito pra onde tá indo – o que importa é ir e andar de mãos dadas com quem a gente ama. Nesses dois anos, descobri como é grande a felicidade de ter alguém pra amar – e ser amado por esse alguém. E que o amor é muito mais importante que pequenas – e bobas – coisas.

Nesses dois anos, meu coração doeu forte duas vezes. Uma em agosto e outra em março. E entendi – se é que tinha algo pra ser entendido – que o que eu sinto é de VERDADE. Nesses dois anos, sorri com a alma e chorei um choro cheio de mágoa. Nesses dois anos, dois muitos dos três muitos do te-amo-muito foram pro hospital, de tão machucados. Nesses dois anos, apenas uma vez pensei em desistir. Mas percebi que é difícil a gente desistir do coração da gente. Não dá pra abrir mão de uma parte de nós.

Nesses dois anos, eu viveria os mesmos anos de novo, tudo igual. Só pra sentir o que eu sinto hoje, poder te ver dormir, acordar contigo e te dizer: eu te amo. Muito, muito, muito.