23 outubro, 2010

Te dou uma poesia





Aliança
(Elisa Lucinda)



"De alguma maneira hoje

Quero sempre me casar com você...

Para mim este amor é diferente, não é de papel passado,

É amor de papel presente."

16 outubro, 2010

Au

Au

Álvaro de Campos

"Todas as cartas de amor são ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras, ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser ridículas.

Mas, afinal, só as criaturas que nunca

escreveram cartas de amor é que são ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso cartas de amor ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor é que são ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos,

são naturalmente ridículas.) "


27 setembro, 2010

Caíssa, Fanchico e os Miu Dia


Fanchico,

Pedi pa mãe quevê, puque eu num sei. Daí tô ditando e ela tá quevendo. Fanchico, goto tanto de ti, tanto tanto que até dá umas dor estanha no meu coraçãozinho. Fanchico, acho teu oio tão munito, goto de anda de balanço e binca contigo. A gente não tá junto há miu dia assim falando puque antes a gente num falava, a gente nem era nascido ainda, mas como a mamãe e teu pai tão junto há miu dia então a gente de alguma forma tá tamém. Tu entendeu, Fanchico? Puque às vezes tu é burro, Fanchico. Daí te dou zero.

Pindu, olha, goto muito quando tu me dá bejo, abacinho, mexe no meu belo, me dá quentinho e bala. Goto demais. Goto quando tu tá com a cara petinho da minha e quando a gente cova os dentinho junto no banheo. Tamém goto quando a gente senta no sofá pa tomá suquinho de uva. E goto quando tu abaça eu petado bem peto petado pa eu nanar. Goto quando a gente beja condido batanti. E acho que essas coisas toda junta fazem a gente gota muito de alguém. E esse alguém é o Fanchico Pindu meu amoi.

Me peia. Quando a gente fica gandi vamo ser namoiado, que nem mamãe e teu pai. Poi enquanto a gente só dá bejo na checha que nem na fota aí de cima.