Oi, amor.
Ah, eu acho tão bom dizer amor. Nunca tinha chamado alguém de amor, até te conhecer. Lembro que te chamei primeiro de amorzinho. A gente nem namorava ainda. Mas parecia que sim. É que desde a primeira vez que tu pegou na minha mão parece que a gente namora. Não sei, eu sinto. E nunca, nunca vou esquecer aquele dia.
Senti uma coisa tão boa agora. Por isso tô te escrevendo. Tenho tanto sempre pra te dizer. Acho que nunca vou ter um sentimento quieto. Ele fala, ô sentimento comunicador! Precisa se expressar. Mas, como ele é contraditório, muitas vezes emudece. Fica quietinho, não tá pra ninguém, por-favor-não-perturbe.
Sinto coisas tão boas quando eu te abraço. Parece que tudo fica claro e calmo. É um abraço que vira casa doce. Eu não sabia nada dessas coisas de amor, aprendo a cada dia. Às vezes eu apanho. De mim e do meu pensamento, que tem insônia e quer assunto em plena madrugada. Mas eu preciso muito te dizer como eu aprendi.
Aprendi contigo a não dar bola pro pequeno. Tudo bem molhar o tapete. Tudo bem se quebrou um copo. Tudo bem se os ponteiros do relógio andam mais rápido que os nossos passos. Tudo bem se o mundo tá ligado feito liquidificador. Aprendi a ter paciência, a vida sempre nos espera. Aprendi a ter mais calma, nem tudo tem que ser estressante. Descobri mundos novos, descobri partes minhas.
Existe uma beleza ingênua no começo. A mesma beleza permanece, cresce, se transforma. Mas a ingenuidade dá lugar pra maturidade, o que é natural, já que o papai planta a sementinha na mamãe, a sementinha vira um feto, o feto cresce e parece que a mãe engoliu um orelhão, o feto nasce e vira bebê com cara de joelho e cheio de placenta melequenta, o bebê vira um bebezão lindo e bochechudo, o bebezão vira criança, a criança vira pré-adolescente pentelho, o pré vira adolescente espinhento rebelde que bate porta, depois vira quase adulto, adulto, adulto, adulto, adulto...até virar idoso. Mas o que importa é a alma. A minha, amor, sempre vai ter um quê de ingenuidade, eu sei. Às vezes pareço boba, também sei. Eu e minha forma de ver a vida. Sei que pouca gente vê como eu, e me dói um pouco ser assim, colocar uma intensidade foda em tudo o que vivo. Mas é uma dor que já me conhece, que faz parte de mim, é uma dor que sempre vai doer, porque eu sei que não vou mudar. Eu nasci pra acreditar nas coisas. E em mundos encantados. Mesmo que o mundo, às vezes, me desencante.
Aprendi a controlar alguns impulsos e pensar mais antes de falar as coisas. Mesmo que eu fale muita bobagem. Mesmo que de vez em quando eu te magoe. Amor, olha que palavra linda, eu te amo muito. E acho tão bonito esse sentimento, acho tão bonito te dizer isso. Mesmo que seja rápido, mesmo que seja antes de desligar o telefone, mesmo que seja rindo. É um eu te amo de dentro, sincero, feliz. Porque hoje em dia o amor é loteria. E eu me sinto uma sortuda na maior parte do tempo.
É que o amor não é só calma nem só paz. Ele também é guerra. Mas tô tentando controlar minhas armas. Porque as armas moram dentro de cada um, amor. Eu aprendi tanto contigo, com o amor que a gente sente um pelo outro. Lembro que antes eu tinha medo de ser boba, chata, enjoativa. Hoje não tenho mais. O amor vai dando segurança para as nossas atitudes.
A gente já teve alguns momentos foda. E eu aprendi com todos eles, principalmente com o último, o rei da fodelança. Nunca, amor, nunca na vida me senti daquele jeito. Não foi um jeito bom, eu e tu sabemos, mas ele foi essencial, curta e intensamente essencial pra eu perceber o que precisava mudar. O amor é feito de ajustes, amor. Ele é uma tela sempre inacabada. Precisa de retoque, de mais tinta, de pincéis novos, de tempo pra secar. E eu quero que a gente pinte várias telas, todas coloridas. Juntos.
O amor é liberdade. Pra gente poder ser quem é, sem medo ou angústia. É por isso que te amo do jeitinho que tu é. Mesmo que eu aponte os teus defeitos ou te critique volta e meia por algo que não concordo. Porque eu não tô aqui só pra te aplaudir. Tu sempre pode contar comigo. Meu ombro vai estar sempre reservado pra tua cabeça. Meu abraço e meu colo vão estar sempre te esperando, pro que tu precisar. E a gente vai pegar cada um os seus sonhos/planos/aspirações/desejos e misturar tudo, tipo poção mágica. Depois a gente brinda e bebe. Até o último gole. Amor é liberdade pra poder ser quem é, e gostar disso. É entendimento. É poder respirar, fazer o que gosta, estar perto, estar longe, estar em qualquer lugar. Amar é estar em qualquer lugar - e o outro continuar dentro. Porque amor, a gente já sabe disso, a distância só aproxima. Passo Fundo só nos aproximou. Assim como todas as outras coisas boas e nem tão boas que nos aconteceram.
O amor é uma reunião de coisas. E a maioria delas eu ainda nem sei, não descobri. Mas vou aprender. É que pra amar não tem que falar nem tentar traduzir. Pra amar só tem que sentir.
Senti uma coisa tão boa agora. Por isso tô te escrevendo. Tenho uma coisa pra te dizer: sempre vou estar contigo pra segurar a tua mão. Em qualquer hora. A coisa boa que eu senti foi ler um texto da Cristiana Guerra. Reli, na verdade. E lembrei da gente. E sabe quando o coração ri? Ri um riso bem gostoso, que faz barulho? E ao mesmo tempo o riso vira um sorriso, aquele sorriso de olho? Que é tão puro, mas tão puro que um monte de lágrimas, lagriminhas e lagrimetas se juntam e decidem ligar o lagrimômetro? Foi o que aconteceu. Ah, amor. Que coisa bonita isso. Não tem nada mais bonito que chorar de amor, de feliz. Contigo eu mudo sempre pra melhor, obrigada. Amor.