É engraçado. E começo dizendo assim, que acho graça. Sempre tive uma resposta na ponta da língua. Explicações. Enrolações. Porque eu enrolo, tenho alguns dons. Posso chamar de dons? Encenações do bem, isso existe? Não enrolo para o mal e sim para o bem. Sempre me achei muito dona. Palavras e verdades, tudo meu. Não sei bem o motivo, de alguma maneira eu me sentia especial. Não por convencimento ou autoestima exacerbada, simplesmente me sentia especial. A autoestima nem é tão grandiosa assim, vezenquando ela é violenta, me derruba, se derruba. Mas a gente levanta, tira a poeira do joelho direito e segue andando. E o que eu quero dizer hoje é que tu me faz seguir andando.
Bem no começo eu tinha muitos sentimentos e frases explodindo nos blocos e bolsas, loucos pra sair. É que eu precisava dizer tudo o que sentia, algumas coisas não cabem na gente de jeito nenhum. Meu amor por ti é assim, sem tamanho. Ele é tão grande que nem uma loja especializada em roupas GGGGGÊ consegue fazer um modelito que caiba. Porque o meu amor por ti não cabe em lugar algum, só em nós dois. E isso é bonito, amor. Pode parecer uma repetição infinita, eu sei. Bem no começo eu escrevia coisas diferentes de formas diferentes. Bem no começo o meu amor era fresco. Agora ele já não é tão novato, tão mirim. É um amor crescido, mas que vai estar sempre dentro do prazo de validade. Porque o meu amor, amor, é infinito.
É engraçado. A gente, quando ama, precisa dizer, fazer o outro entender que o amor que fica dentro do peito é pra sempre. A sensação do sempre é necessária, urgente. A gente, quando ama, quer escrever bonito, ler bonito, viver bonito. O que eu quero dizer é que antes, antes desse amor todo, a gente falava que essas coisas eram bobas. Lembro de uma frase tua "toda jura de amor eterno é uma falácia". Então a gente se falacia todo dia. Mas acho que entendo. Algumas coisas chegam depois. Lentas. Calmas. Serenas. Precisas.
Bem no começo, lá no Sushi do Cleber, eu cometi uma indelicadeza. Ela foi, sim, verdadeira. Mas nem todas as verdades precisam arranhar a cara da gente. Tem como passar um remedinho, falar suave, delinear as palavras, contornar o tom. Mas nem sempre eu sei fazer isso, às vezes sai. Sai saído. E dói lá do outro lado. Então, amor, sei que hoje tem um pouco de graça. Mas desculpa quando eu não sei a forma de falar. Ou quando me perco no meio de tantas coisas. Quero que tu saiba - e acredite - que eu sempre quero o teu bem. Em qualquer situação. E que nada, nunca, é pra te deixar com o olho triste.
Hoje posso dizer que as palavras faltam. Deve ser porque cada abraço fala, cada olhar diz, cada silêncio grita. Tudo o que eu já disse e repeti soa como não novo. Mas o meu sentimento, amor, se renova a cada dia. Te vejo diferente em cada minuto, te descubro cada vez mais. E te amo a cada novidade que entra na minha vida. E te respeito em cada coisa que a gente discorda. E sei que as coisas sempre vão afinando, melhorando. Porque a gente quer. Porque quando a gente ama se transforma, reforma, ajeita a forma. As palavras podem se repetir, mas meu amor vai ser único. E vou estar sempre ao teu lado, pra te apoiar, te ouvir, te amar. E ficar te olhando. Porque ficar te olhando é a coisa mais bonita do mundo. É por isso que te olho tanto.
(Há 15 meses. E até o mundo acabar)