27 junho, 2008

— Príncipe Sapo.
— Hein?
— Príncipe Sapo, ora.
Gonçalo olhou melhor para ela. E adoçou a voz como quem fala com uma criança — ou uma louca —, os olhos retomando por segundos aquele verde bom de antigamente.
— Que príncipe, Teresa? — Sapo,já disse. Que coisa, parece surdo. Aquele que pegou a bola de ouro da princesa e pediu para ir com ela, comerem juntos, dormirem juntos, você sabe. Gonçalo desviou os olhos e deslizou-os pela sala, o piano enorme e o retrato de Chico Francisco príncipe Sapo sobre ele. Teresa acompanhou seus olhos pensando — “Gonçalo, eu amei você. Seus olhos verdes, seu violão. Amei a serenata que você nunca me fez”. Depois foi falando devagar, sflaba por sflaba, como se o que dissesse fosse algo muito frágil: — Eu vou me casar com o Chico — “Francisco príncipe Sapo”, completou mentalmente.
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O Príncipe Sapo, CFA, livro Ovelhas Negras