23 outubro, 2008

Setão

Eu tenho muita coisa pra te falar. Mas eu me conheço, sempre acabo esquecendo de um detalhe que, mesmo que não pareça, é importante. Deve ser por isso que eu vivo falando, escrevendo bilhete, carta, e-mail; deve ser por isso que eu me repito incessantemente. Mas como vou te falar a respeito de sentimentos sem cair na mesmice, na rotina, no lugar-comum-frase-já-batida? É um pouco difícil e, ao mesmo tempo, simples, simples.
Há sete meses atrás eu te conheci, tinha feito um dia bonito, de sol, daqueles bons pra tomar cerveja. Acho que, pela naturalidade e simplicidade dos gestos, de alguma maneira eu sabia. Na maior parte das vezes a gente faz caras e bocas pra impressionar o outro, no começo de qualquer coisa é assim: por favor, veja o meu melhor lado. E nós, de formas diferentes, mostramos o nosso ângulo meio torto. Tu chegou atrasado, quando jamais se deixa uma dama esperando. Eu cheguei dando esporro, ao invés de um oi-tudo-bem, jamais se dá patada no quase-futuro-amor-da-vida. Pois bem, estava uma noite agradável e a gente se encontrou. E foi um encontro diferente, o primeiro, o único, o mais importante da minha vida, pois ali eu não estava somente te conhecendo, eu tava a um passo de me descobrir também.
O nosso relacionamento passou por muitas etapas e fases e ajustes e ciumeiras e lágrimas e conversas e palestras e presenças de Chico arrependido + Clarissa medrosamente chorona. E ele foi escalando uma montanha, parando pra tomar água, mas nunca desistiu de nada, o nosso amor foi crescendo e dando a força necessária pro nosso relacionamento chegar ao topo da montanha. E que montanha é essa? É a confiança, a certeza de que o outro está ali, independente de tudo. A gente teve apresentações ao passado um do outro, a gente teve algumas desavenças, a gente teve algumas dores de cabeça. Mas acima de tudo, a gente sempre teve amor. Pode parecer romântica demais essa visão, talvez simplista demais. É que quando tu tem amor, tu tem tudo. E, ao mesmo tempo, o amor não é tudo. O amor é um forte elo de ligação, mas junto com ele é necessário outros elos, como a amizade, o companheirismo, a intimidade, o respeito, a admiração, o carinho, o tesão, a cumplicidade, a sinceridade.
Muitas vezes a gente disse que, bem ou mal, a gente se resolve. E é. Porque a gente conversa, e eu acho isso ótimo. A gente ri das coisas, de mim, de ti, de nós. E eu também acho isso ótimo. Assim como eu acho ótimo pequenas demonstrações e pequenos gestos e pequenas coisas que tu faz, coisas que parecem nem ter importância, mas que têm. Eu já te disse que as coisas pequenas se transformam em grandes, elas crescem demais quando se juntam e quando são de verdade.
Passamos por alguns processos. De distância, de saudade, de confiança. E eu te digo com toda a certeza do mundo que sim, foi bem difícil ficar longe, mas a gente é ninja e conseguiu. E ficamos mais fortes e juntos. Eu sei que de vez em quando a gente se implica e sei que de vez em quando o orgulho aparece e quer tomar conta, mas a gente não deixa. Amor, todos os relacionamentos têm altos e baixos e nunca são 100% tranqüilos. Eu acho que a gente tem muita coisa que os outros não possuem: a gente conversa sobre o que incomoda, a gente não sabe deixar pra lá. E isso não torna o nosso relacionamento cansativo, pelo contrário, é bom conversar contigo sobre tudo. E mesmo nos momentos de stress, a gente nunca duvidou do amor do outro. Porque a gente tem certeza. Uma certeza que começou a engatinhar no dia 23 de março.
Eu tenho muita sorte de te ter na minha vida, tu é o melhor namorado do mundo. Tá, é meio clichêzão, mas é verdade, o que eu posso fazer? Não, não te enxergo como o Mr. Perfect e nem te coloco num pedestal "ai, o meu namorado é tudo de bom". Eu sei que tu é humano, tu erra, tu tem defeitos e que bom que tu tem, meu amor. Se tu fosse o Perfeitão eu ia achar muito estranho e aí sim ia ficar desconfiada. Eu sou cheia dos defeitos, uns tu conhece, outros tu ainda não reparou, mas quero que tu saiba que até os meus lados defeituosos te amam, todos eles. Até mesmo os teus lados defeituosos são amados pelos meus. Sei que tu não é perfeito, mas tu é o melhor namorado do mundo, porque tu é o amor da minha vida e isso não é papo de aniversário de 7 meses, nem de mulher apaixonada, pois eu já ultrapassei essa fase de uhu-deslumbramento-e-encanto. Eu vivo encantadamente deslumbrada com os teus olhos bonitos, com o teu sorriso lindo e com cada abraço gostoso que tu me dá, mas não tenho aquela ingenuidade dos apaixonados, que pensam que o outro está além das nuvens e que o mundo é uma grande e interminável festa. É um amor maduro, consciente e muito, muito verdadeiro. Tão verdadeiro que entende que perfeição não existe. Tão consciente que sabe que quando a gente ama tem que ter a capacidade de se colocar no lugar do outro, tem que saber ceder, tem que aprender a ouvir.
Tu é lindo, em cada sentido da lindeza da palavra. Tu é carinhoso, espirituoso, dá abraço bom, sabe dar aquele beijo que eu digo "me dá mais um desse aí", tu é amoroso, inteligente, tu me faz rir e a gente ri, ri muito e que bom que a gente sabe rir, amor. Tu é esperto, gostoso, engraçado, cheiroso, tu sabe que o teu cílio é o mais compridamente belo que já fizeram nesta vida, tu é diferente de tudo que eu já conheci. Tu me cuida, tem o melhor abraço do mundo, tu me olha do jeito mais puro que eu já vi. Amor, não consigo dizer direito o que tu representa pra mim, é que é tanto, tanto, tanto que eu tenho medo de falar e ainda assim não conseguir deixar claro.
Uma vez me falaram: a gente sabe quem o outro é nos momentos de tensão. E eu já passei por alguns momentos tensos. Momentos em que eu precisei de ti, direta ou indiretamente. E tu sempre, sempre esteve do meu lado, em qualquer hora ou dia. Quando eu tava triste, com medo, aflita, doente. Mesmo longe tu tava do meu lado, eu sabia. Outra vez me falaram: a gente percebe se o outro realmente é sincero quando compartilha os nossos momentos felizes. Amor, tu sempre fica feliz com as minhas conquistas e felicidades. Sempre. E eu sei que é de verdade. Eu sei que a cada vez que tu tá ali, tu tá ali. Ali de verdade, porque tu quer. Sei que tu não era muito de te envolver na vida dos outros, nem de sair expondo a tua. E a gente tem isso, a gente é transparente. A gente se envolve em cada coisa boa e ruim da vida do outro, pois tudo o que tem relação com a minha vida ou a tua tem reflexo na nossa vida. Porque a gente é importante um pro outro e porque a gente gosta de participar de cada coisa.
Sei que eu ando num momento particularmente diferente. De incertezas, atucanações, coisas de lá, de cá. Existe, ainda, aquela pressão de final de faculdade. Pressão feita por mim, e por todas as que habitam este corpo. São muitas, amor. E sei que eu desconto algumas coisas em ti, que coloco coisas que nem tuas são nas tuas costas. Nos últimos dias eu percebi coisas. Se por ventura eu tinha alguma dúvida - e eu não tinha - do quanto tu me ama, posso mandar todas elas embora. Eu sei que tu me ama muito, sei que tu me respeita muito, sei que tudo é muito, mas não no sentido de empolgação, no sentido de ser muito, de ser grande, de ser infinito. Amor, sei que tu é paciente, que tu me ouve e tu não sabe o quanto isso é importante pra mim. Por mais besteirinha que seja, tu me ouve e tu não considera a besteirinha uma simples besteirinha. Então eu quero te agradecer por estar sempre comigo. E me entendendo, ou pelo menos tentando. Sei que de vez em quando não sou tão fácil de conviver assim, desde pequena sou meio geniosa. Mas tu me acalma com a tua tranqüilidade, mesmo.
Bebê, hoje é o dia do setão. Sete meses que estamos juntos. Sete, amor. E eu lembro como se fosse ontem o dia em que eu te vi pela primeira vez. Assim como eu lembro do nosso primeiro beijo e primeiro abraço e assim como eu lembro da primeira vez que tu veio aqui em casa. Eu acho a nossa história linda. Eu lembro de cada coisa, de cada momento bonito. E eles foram e são muitos. E superam e são imensamente mais importantes do que algum momentinho sem glória que aconteceu por acaso. Sim, porque momentos sem glória fazem parte da vida dos casais. Lembro de quando tu me pediu em namoro, sendo que a gente já tava até namorando e se dando "satisfação". Lembro da primeira vez que eu fui na tua casa, lembro de todas as nossas primeiras vezes. Amor, tu é a melhor coisa da minha vida, o homem da minha vida e eu nunca pensei que eu fosse dizer isso algum dia pra alguém. Mas tu é, tu é tanta coisa junta!
Quero que tu saiba que nos sete meses que a gente se conhece eu acabei me conhecendo. Porque eu acho que não me conhecia tanto. É que quando te encontrei, veio de brinde um espelho. Nesse espelho eu me enxergava e descobria cada detalhe. E é nele que eu ainda me descubro todos os dias, com a tua ajuda, com a minha, com a nossa. Porque a gente é um, mesmo sendo dois. Antes de sermos dois, somos Clarissa e Francisco, mas quando a gente se abraça e quando a gente tem o nosso amor refletido nos nossos olhos - o que é sempre, juntos ou separados - nós somos um só.
Eu te amo muito, coisinho. Mais do que as palavras podem dizer, do que os abraços e beijos podem demonstrar. Lembra sempre disso.