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três
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vinte e três
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sessenta e nove
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noventa e nove
.
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meu amor,
hoje faz noventa e nove dias que eu te tenho do meu lado.
noventa e nove dias de sorte
de abraços
de calor
de olhos verdes
de cílios compridos
de amor
de histórias que vão crescendo
amadurecendo
entorpecendo
derretendo
acumulando
somando
aumentando
intensificando
clareando
esverdeando
barbeando
sardeando
.
eu tava pensando numa coisa bonita pra te escrever hoje
mas é difícil escrever coisas bonitas
pra um coiso bonito
e que escreve bem.
a gente acaba tendo uma sensação de repeteco
de eu-já-disse-isso-mil-vezes-de-mil-maneiras
é ruim ficar no óbvio.
.
então eu pensei de novo
outra coisa
cadê a coisa bonita?
não tem.
não deu pra juntar todas as palavras bonitas e colocar aqui
também não tem como juntar todo o meu sentimento bonito e colocar aqui
falta blog
falta papel
falta dedo
falta caneta
mas eu quero que tu saiba
que nunca
nunquinha
nunca na vida
tu vai ter falta de amor
porque ele sobra
sempre tem mais um pouco
mesmo que tu pense que não
ele sempre vai estar aí
nos espaços
frestas
cantinhos
buracos
embaixo do tapete
do banco
da cama
atrás da cortina
dentro da pia
do cano
no ralo
na fronha
no lençol embolado
.
e daí eu pensei mais uma vez
e vi que não tem jeito
não tem como escrever bonito
mas sabe
a gente vive bonito
sente bonito
e acho que isso, na verdade, é o que mais importa.
.
não adianta escrever bonito
se o bonito é só pra bonito!
ou só pra inglês ver
ou japonês
irlandês
norueguês
.
então, nos noventa e nove dias eu te agradeço.
muito.
mesmo.
porque desde que eu te conheci
eu sei o que é sentir uma coisa bonita por alguém.
e, ainda bem, que a coisa bonita é pelo coiso bonito.
"que sorte a nossa, hein?"
.
.
.
"Ainda bem
Que você vive comigo
Porque se não
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto de amar, de amar
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte
Ainda bem
Que você vive comigo
Porque se não
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte
Neste mundo de anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor.
Entre tantos outros
Entre tantos anos
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
ós dois, esse amor.
Entre tantos paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor."
.
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(Ainda bem, Vanessa da Mata e Liminha)