30 junho, 2008

Noventa e nove dias



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três

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vinte e três

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sessenta e nove

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noventa e nove

.

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meu amor,

hoje faz noventa e nove dias que eu te tenho do meu lado.

noventa e nove dias de sorte

de abraços

de calor

de olhos verdes

de cílios compridos

de amor

de histórias que vão crescendo

amadurecendo

entorpecendo

derretendo

acumulando

somando

aumentando

intensificando

clareando

esverdeando

barbeando

sardeando

.

eu tava pensando numa coisa bonita pra te escrever hoje

mas é difícil escrever coisas bonitas

pra um coiso bonito

e que escreve bem.

a gente acaba tendo uma sensação de repeteco

de eu-já-disse-isso-mil-vezes-de-mil-maneiras

é ruim ficar no óbvio.

.

então eu pensei de novo

outra coisa

cadê a coisa bonita?

não tem.

não deu pra juntar todas as palavras bonitas e colocar aqui

também não tem como juntar todo o meu sentimento bonito e colocar aqui

falta blog

falta papel

falta dedo

falta caneta

mas eu quero que tu saiba

que nunca

nunquinha

nunca na vida

tu vai ter falta de amor

porque ele sobra

sempre tem mais um pouco

mesmo que tu pense que não

ele sempre vai estar aí

nos espaços

frestas

cantinhos

buracos

embaixo do tapete

do banco

da cama

atrás da cortina

dentro da pia

do cano

no ralo

na fronha

no lençol embolado

.

e daí eu pensei mais uma vez

e vi que não tem jeito

não tem como escrever bonito

mas sabe

a gente vive bonito

sente bonito

e acho que isso, na verdade, é o que mais importa.

.

não adianta escrever bonito

se o bonito é só pra bonito!

ou só pra inglês ver

ou japonês

irlandês

norueguês

.

então, nos noventa e nove dias eu te agradeço.

muito.

mesmo.

porque desde que eu te conheci

eu sei o que é sentir uma coisa bonita por alguém.

e, ainda bem, que a coisa bonita é pelo coiso bonito.

"que sorte a nossa, hein?"

.

.

.





"Ainda bem

Que você vive comigo

Porque se não

Como seria esta vida?

Sei lá, sei lá

Nos dias frios em que nós estamos juntos

Nos abraçamos sob o nosso conforto de amar, de amar

Se há dores tudo fica mais fácil

Seu rosto silencia e faz parar

As flores que me manda são fato

Do nosso cuidado e entrega

Meus beijos sem os seus não dariam

Os dias chegariam sem paixão

Meu corpo sem o seu uma parte

Seria o acaso e não sorte

Ainda bem

Que você vive comigo

Porque se não

Como seria esta vida?

Sei lá, sei lá

Se há dores tudo fica mais fácil

Seu rosto silencia e faz parar

As flores que me manda são fato

Do nosso cuidado e entrega

Meus beijos sem os seus não dariam

Os dias chegariam sem paixão

Meu corpo sem o seu uma parte

Seria o acaso e não sorte

Neste mundo de anos

Entre tantos outros

Que sorte a nossa hein?

Entre tantas paixões

Esse encontro

Nós dois, esse amor.

Entre tantos outros

Entre tantos anos

Que sorte a nossa hein?

Entre tantas paixões

Esse encontro

ós dois, esse amor.

Entre tantos paixões

Esse encontro

Nós dois, esse amor."

.

.

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(Ainda bem, Vanessa da Mata e Liminha)